Um seminarista pode apaixonar-se?

Muita gente pergunta se não gostamos de meninas, ou pensa que o seminarista ou o padre é uma pessoa frustrada na vida amorosa. Fantasiam que por ser o cara “encalhado” entrou no seminário, ou entrou tão novo que ainda não tinha noção do que estava escolhendo e ali, após uma lavagem cerebral, ficou refugiado entre quatro paredes frias de uma casa enorme ao estilo arquitetônico medieval, casa a qual chamam de seminário.

Sabe, para você ter uma ideia aonde chega o que muita gente pensa. Certa vez uma pessoa me falou: “Olha esse menino, os traficantes estão querendo matar ele, sabe, ele saiu das drogas, mas a família não sabe o que fazer… ele é de igreja; poderia ir para o seminário, assim ficaria escondido.

O que dizer? Se segurar para não rir em primeiro lugar. O seminário não é esconderijo, pensão, refúgio ou lugar para pessoas frustradas. Pelo contrário: é um lugar muito divertido de fraternidade, em que temos uma família e amadurecemos juntos vendo e aprendendo o exemplo de tantos padres e irmãos em Cristo. Como essa mulher achava que o seminário é um lugar para pessoas se refugiarem analogamente muitas pessoas pensam que é um refúgio para os frustrados amorosamente.

Caso você que está lendo esse texto e já tenha pensado em ser padre, mas logo desiste por acreditar que por ter o desejo de se casar com uma mulher, isso não é para mim; não se preocupe, muitos de nós pensamos a mesma coisa e até mesmo no seminário já nos apaixonamos por alguma menina.

Esse sentimento é natural no coração do homem, todos nos sentimos atraídos por uma mulher alguma vez na vida. Ao fazermos a renúncia de uma mulher, não é porque não queremos amá-las, mas porque Deus nos deu um grande coração, tão grande que não é capaz de amar somente uma, mas a todas as pessoas em Cristo e por Amor a Cristo. Deus nos deu um coração sedento para buscar algo mais, para amar uma multidão de pessoas confiadas por Deus ao sacerdote e assim fazer-se tudo a todos e ao final para levá-los aos céus.

Como o próprio nome diz “PADRE”, que significa “PAI”, estamos chamados para ser Pai espiritual de tantas pessoas, poder dedicar-se, todo nosso dia e nossa vida, a pessoas sedentas em busca do Amor de Deus.

Fazemos essa renúncia com a ajuda de Deus, não que seja uma coisa fácil, mas fazemos por Deus, por Amor a Ele e a Maria, João, Paulo, Flávia…  e tantas outras Marias e Joãos que o Padre encontrará ao longo da sua vida.

Diz o ditado: “se Deus dá a cruz, dá graças para carregar! ”. Ou seja, se sou generoso com Ele, sou pleno na vida e na vocação.

De seu Amigo seminarista: Deyvison Lucas Ongaro Arcie

Posted in Vocação.