Visita aos enfermos: Um encontro com o próprio Cristo!

Olá jovens! Sou o seminarista Michel e este ano no seminário estou experimentando uma realidade pastoral nova, desafiante, belíssima, na qual exige desinstalar-se de si próprio e ir ao encontro dos outros, refiro-me a pastoral hospitalar. Quando falamos em hospital a primeira coisa que nos vem a mente é o termo enfermidade, termo que geralmente causa-nos algum tipo de desconforto, ainda mais quando o enfermo é um de nossos amigos ou familiares, de modo que muitas vezes preferimos evitar tal realidade ao invés de irmos à ela, contudo, o próprio Jesus ao longo de sua vida pública não evitou tais realidades em que pessoas se encontravam em estado de enfermidade, mas foi ao encontro delas como na passagem em que foi ao encontro da sogra de Pedro que se encontrava enferma (cf. Mc 1, 29-31), ou em tantas outras em que ele mesmo vai ao encontro dos necessitados.
Ao longo das visitas ao hospital, veio-me à tona uma frase que o Pe. Danilo Pena disse em um de nossos retiros mensais no ano passado, a frase era: “As pessoas não querem que você resolva os problemas delas, mas que você esteja com elas em suas dores”, essa frase na pastoral faz muito sentido, pois cada quarto visitado é uma realidade diferente por mais que a fragilidade seja a mesma, tal realidade faz com que saiamos de nós mesmos, de nossos protocolos, paradigmas, para podermos nos abrir a duas grandes práticas: a empatia e a escuta.
Assim como os médicos cuidam do corpo, podemos conceber a pastoral hospitalar como aquela que cuida da alma, pois os enfermos e não só eles mas seus familiares muitas vezes não aceitam ou não acreditam, ficam extasiados ou ainda perdem as esperanças, por isso o âmbito espiritual é fundamental na pastoral, e digo ainda que se dividíssemos em dois âmbitos a pastoral hospitalar seria o âmbito humano e espiritual, pois como já foi falado a realidade de cada quarto é diferente, pois há pessoas que mesmo diante da enfermidade têm uma fé inabalável, mas seu lado humano está frágil, então uma partilha de vida, um simples ato de escutá-la, faz com que ela se sinta melhor, renovada, convicta a continuar lutando, em contra partida há pessoas que precisam além do apoio humano o espiritual, pois nem todas as pessoas visitadas são cristãs, então construir um caminho com ela de que Deus a ama e está com ela mesmo que ela não perceba através da oração, da partilha de vida, dá uma força, uma segurança, uma convicção de continuar lutando.
Portanto, cada visita é um verdadeiro aprendizado para a vocação e para a vida, por isso a importância da empatia e escuta, pois visitamos pessoas que às vezes não podem conversar, mas estão conscientes, e pessoas de todas as idades com as mais diversas sabedorias e experiências de vida.
A pastoral hospitalar tem um valor humanizador imenso, mas para nós cristãos a ela tem um valor a mais, pois é uma das obras de misericórdia “estive doente e me visitastes” (Mt 25, 36), ou seja em cada visita contemplamos Jesus em nossos irmãos, temos uma experiência com Ele, experiência cuja a qual ensina, o quanto aprendemos com eles, experiência que transforma, passamos a mudar muitas vezes de atitude frente a uma ou outra situação com a qual nos deparamos, experiência que aquece, inflama o nosso íntimo, quando estamos finalizando uma visita e o semblante da pessoa que antes era de angústia, desconforto passa para um sorriso, para um olhar esperançoso, não há preço que pague tal sentimento de alegria. Por fim, participar da pastoral hospitalar é uma experiência singular, pois ensina-nos a sermos mais humanos, de modo que ao ir para a pastoral, estamos imitando os passos do próprio Cristo que sempre foi ao encontro dos fragilizados, e nos ajuda a configurar o nosso coração ao coração do próprio Cristo, ou seja um coração misericordioso, compassivo, cheio de bondade.

Seminarista Michel da Silva Muraro

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