Testemunho: conversão e vocação

Meu nome é Matheus Marques de Matos, 24 anos, seminarista do 3° ano de teologia. Até o ano de 2009, com 15 anos, não tinha uma fé sólida, sendo que questionava constantemente se Deus realmente existia. Não me chamaria de ateu, pois não havia consistência, mas também na me chamaria de católico fervoroso, pois tudo que fazia com relação à religião era por obrigação.

Em outubro de 2009, tive uma experiência com Deus que é difícil descrever, mas a única palavra que me parece menos inadequada é paz, equilíbrio interior, um aquecimento do coração que me revelava que havia algo maior do que aquilo que podia ver. Desde momento em diante, resolvi dar uma chance a mais para Cristo. Terminei minha catequese, me crismando em 2010 e comecei a frequentar um grupo de oração jovem chamado ORE na paróquia Santa Rita de Cássia, do Hauer.

Desde 2010 até 2012 fiz uma trajetória constante de descobertas na fé, conhecendo a Palavra de Deus e como o amor do Senhor era concreto, apesar de não ser percebido. Percebia como, mesmo na minha incredulidade, o Senhor cuidou da minha história e me fez chegar até ali com grandes graças. No ano de 2011 sentia um chamado a algo diferente, mas eu não queria ser sacerdote, queria casar, viver o matrimônio, ter filhos, então conversei com o diácono permanente de minha paróquia, Diácono João Pienta, que me falou sobre o diaconato, mas que era para pessoas mais avançadas na idade. Contudo, me indicou o texto de At 6,1-7, ao qual li, meditei e rezei.

No final do ano de 2011, enquanto ajudava em um retiro do grupo que participava, também em outubro, senti então um forte chamado ao sacerdócio novamente. Ainda não queria ser sacerdote, mas sentia uma profunda convicção que era isso que Deus me pedia, então optei pela obediência a Deus, pois sabia que Ele não me levaria para a infelicidade. Comecei o processo de discernimento vocacional com os dehonianos, congregação do Sagrado Coração de Jesus (SCJ), contudo, não me sentia confortável lá, parecia que algo que encaixava. Em julho, uma colega da faculdade, eu cursava direito na Unicuritiba na época, me convidou para um retiro, e lá conheci um padre diocesano, padre Rivael de Jesus Nascimento. Conversando com ele, descobri que havia outra opção, e fiz o discernimento vocacional da arquidiocese de Curitiba.

No processo de discernimento, fiz o primeiro estágio pastoral, e lá sentia no interior uma sensação muito parecida com a daquele retiro em 2009, quando descobri que Deus era uma pessoa que me amava, e me parecia claro o chamado a vocação diocesana. Tudo acertado, conversado com meus pais, com os padres, adentrei no seminário. No começo foi difícil, meus pais não aceitaram nos primeiros 3 anos, pois não tenho irmãos. Eu mesmo não queria ser padre, entrei no seminário ainda com a vontade do matrimônio.

Contudo, ao caminhar do seminário, fui aberto ao Senhor, e Ele foi me moldando, e descobri que a obediência a sua voz, foi decisão mais feliz que poderia ter tomado. O Senhor conhecia meus anseios do coração mais do que eu mesmo conhecia, e sabia que o caminho que me propôs, não era o que parecia querer, mas no fundo, era o que desejava. Hoje, já no final do teologia, olhando para essa história, somente posso agradecer ao Senhor por me amar, e por me guiar não nos caminhos óbvios, mas nos caminhos verdadeiros que meu coração ansiava, e que somente Ele pode corresponder.

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