Por que precisamos estudar filosofia no seminário?

Salve pessoal! Muitas vezes nos deparamos com comentários do tipo: “Você está estudando filosofia? Cuidado para não perder a fé!”.

Curiosamente isso acontece. Mas é com razão, pois quando estudamos que “O ser não é o não ser, o não ser é o nada e o nada é tudo” (Parmênides), quase que perdemos as estribeiras. Mas não a fé, porque para entender isso, só com
muita oração.

O ser humano é insaciável e, enquanto não tem a verdade nas palmas das mãos, não para de pesquisar e de procurar mais “pistas” para essa verdade. Para nós cristãos católicos essa verdade já nos foi revelada por Deus, seu filho Jesus Cristo (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” Jo 14, 6).

Porém ainda necessitamos conhecer a verdade das coisas, do ser humano. A filosofia, como sabemos, é a guardiã desse querer saber como é a natureza das coisas, almejando alcançar uma compreensão ampla do mundo, do homem e – por que não dizer? – de Deus.

Agora surge a dúvida: “O que isso tem a ver com os estudos de um futuro padre?”

Eu diria: “Tudo a ver”. O padre é o pastor de sua comunidade, aquele que mais tem liberdade de aproximar-se de suas ovelhas, de as ouvir e aconselhar.

Estando tão envolvido com as pessoas, e observando a pluralidade de pensamentos, culturas e ideias presente nesse país, o padre deve estar muito bem preparo e instruído para diversas situações. Desde atender uma confissão (que envolve um íntimo, do íntimo das pessoas) até trocar uma lâmpada da sala de atendimento que queimou e não tem quem troque.

Além de tudo isso, mesmo como seminarista, já percebo que precisamos saber falar de tudo e para todos, desde futebol até política, e desde de gastronomia até sacramentos.

Tendo em vista tudo isso, nenhum curso abrangeria tamanhas questões essenciais do ser humano, como o estudo da filosofia. Por causa disso, percebemos na Optatam Totius, documento do Concílio Vaticano II, que a filosofia nos ajudará a adquirir um conhecimento sólido e coerente do homem, do mundo e de Deus. “Cristo – dizia Paulo VI – fez-se contemporâneo a alguns homens e falou a língua deles. A fidelidade ao mesmo Cristo exige que esta contemporaneidade continue”, dessa maneira, “devemos ser peritos em humanidade”, como bem falava Paulo VI, Jesus soube argumentar e viver com aqueles os quais se encontrava.

Por isso, mais do que sermos bem formados em nossa pastoral, na nossa espiritualidade e missionariedade, precisamos ser bem, e muito bem, formados intelectualmente. Pois de nada adiantaria estar em consonância com
o Pai (pela minha espiritualidade), se na hora que eu precisasse anunciar sua boa nova e seus ensinamentos não soubesse o que falar, como falar ou como argumentar.

Eu como seminarista, percebo a importância da filosofia em minha vida, pois com ela pude perceber questões que são tão claras e tão evidentes, mas que, por motivo ou outro, ficam escondidas em nossa essência, como a justiça, a bondade, a política verdadeira, o bem e o mal, etc. Se não fosse o estudo filosófico, não sei o que me acordaria desse “hábito” de existir, para esse viver a vida como ela realmente é.

Não sei também, quem me desataria das “algemas” da alienação imposta pelas mídias sociais que servem para nos controlar. E a fé? Será que eu perdi? Muito pelo contrário, quanto mais estudo mais percebo, quanto Deus é importante para a nossa essência e para a essência da humanidade. E quanto mais procuramos negá-Lo mais O
“demonstramos”, paradoxalmente falando.

@Pedromocelin

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