Finados aproximando-se. Meu Deus velório no Seminário! Morreu a Pomba!!

Morreu o Chunxo!

Relatos de um velório digno!

O dia foi espirituoso! Em uma terça-feira de retiro espiritual aqui no Seminário São José, o qual era para ser tranquilo, aparece um pássaro com a asa machucada, o que deixou alguns seminaristas “do mato” muito preocupados, eles desejavam salvar o pássaro e colocaram-no em uma caixa, espécie de maca hospitalar, a ideia foi brilhante, “vamos colocá-lo no dormitório, pois lá não tem nenhum predador”, o dormitório tornou-se um hospital, assim foi recolhido lá. Assim ao pássaro desconhecido deu início ao atendimento veterinário no SSJ.

Fomos para adoração do Santíssimo e logo em seguida para a missa. No final da celebração, os seminaristas foram correndo para ver o seu grande amigo pássaro, e logo veio à decepção e aflição. O seu novo companheiro estava morto! ‘Completou sua jornada terrestre! Disse um seminarista. Corremos para pedir ajuda, porque não sabíamos o que fazer, tínhamos à frente um pássaro morto (que mais tarde foi identificado pelo IML dos caipiras como Pombo).

A notícia logo se espalhou, pelos corredores do seminário.  Todos comentavam o fim trágico, aí um povo meio louco começou a conversar sobre um suposto velório, ideias foram surgindo. Precisamos dar um nome? Precisamos batizar, mas não dá!   disse um seminarista,  pois morto não se batiza mortos,  Mas antes, deveriam encontrar um nome ao querido pombo, e para isto eles se lembraram do apelido de um menino, o qual é Chunxo!, e assim apressadamente foi decidido, por votação rápida que o querido pombo se chamaria Chunxo, e seu velório aconteceria logo depois do jantar.

Jantamos, limpamos tudo e organizou-se os músicos: pegaram violão, os coroinhas as velas, o pálido Chunxo, e também elegeram um padre para abençoar o coitado do defunto. A procissão foi belíssima, ao som da música: “Segura na Mão de Deus”, até o Negão, cachorro de estimação do seminário participou da cerimônia.

Fomos até o túmulo improvisado, eis que recebemos um WhatsApp dos primos pombos de longe que chegariam no dia seguinte, e gostariam de prestar as últimas homenagens.  Decidimos esperar! No outro dia  com a chegada dos parentes: os pombos, galinhas e periquitos e sabiás. Fomos enterra-lo dentro de um belo caixão de madeira, digno e adornado com flores de cores vivas colhido do jardim das irmãs religiosas. Tudo preparado iniciou-se novamente a procissão ao som da mesma música, neste meio tempo, o irmão Jeferson fez uma homenagem, bem inédita, disse:  ‘a cova é uma sementeira onde colocamos um corpo e ele frutifica para a vida’ mas não sei!  Se isso ajudou os outros seminaristas no luto e os parentes do pombo. Assim chegado no túmulo devidamente e preparado foi colocado o pombo ao som do choro dos parentes. O coveiro ao término do serviço deu três batidas na lápide e terminado o enterro.

Hoje o Chunxo descansa em paz, ficará na memória daqueles que participaram brevemente de sua vida de pomba.

Sem. Victor Hugo Caffeu

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